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A mostrar mensagens de maio, 2005

Os ópios do povo

[1] A pobreza altense: Se eu fosse de Alte, ficaria preocupado. A minha terra estaria em terras serranas, teria fracos recursos e viveria de uma agricultura de subsistência. Para me contentar, teria apenas uma igreja como a referência histórica mais antiga e uma rocha dos Soidos que em tempos serviu para alguma coisa: encaminhar os navegantes... Bem, também teria a Fonte Grande, as chaminés rendilhadas, o 1º de Maio e já me daria por satisfeito. Como a mentira também ajuda a sobreviver, encher-me-ia de orgulho saloio, por saber que a minha aldeia já foi considerada a mais típica de Portugal. Não sei o que é típica, mas não faz mal. Devem julgar que estou a brincar, mas não. Se não gostasse de Alte, não escreveria assim. Mas são estas as palavras que me escorrem no computador depois de ter acedido ao link para a freguesia de Alte, a partir do site da Câmara Municipal de Loulé – www.cm-loule.pt Quando li, nem queria acreditar em tanta miséria franciscana. Aliás, o site, até de forma sob...

A descolonização das mentes

Não se escreve sobre a guerra como se escreve sobre a paz. Sobretudo se quem escreve é protagonista real da ficção que se difere no tempo. E essa decalage no tempo é uma das características do tempo da escrita de guerra. Porque o actor da guerra real não se pode colar ao personagem reflexivo e distante, a escrita da guerra é um “exercício de reflexividade” como refere Giddens. O tempo amadurece a razão e antes dela, promove a emoção. Uma emoção de escrita que é capaz de solicitar os instrumentos da memória distante, em perfeita integração com os suportes das razões actuais. Porque é que há pulsão de escrita sobre a guerra? Trata-se de uma forma de ajustar contas com o catálogo de valores do ser humano? Uma forma axiológica de contrariar os actos desviantes? Ou uma simples forma de exorcizar o mal? Provavelmente tudo isso e muito mais. No momento actual assiste-se, em Portugal, a uma nova profusão de testemunhos da guerra colonial, escritos por diferentes vivências, e sob diversos ponto...

Manifesto Contrasensus

Esta coluna completa, hoje, dois anos. A 1 de Maio de 2003 publicava um texto sobre José Cavaco Vieira, escrito de forma compulsiva aquando do conhecimento do seu fenecimento. A partir daí este pequeno espaço, em «A Voz de Loulé», passou a ter um nome: “Contrasenso”. Uma forma criativa de grafar a palavra contra-senso, muito equilibrada e estável para o meu gosto. Condições que esta coluna pretendia perturbar, na sua missão de questionar, de criticar, de interrogar. Durante estes dois anos muitos formatos passaram por aqui. Textos de pesquisa sobre literatura, poesia e educação; textos de crítica social, política ou cultural; pequenos posts sobre futebol, política, livros ou poetas. Aos leitores nunca pretendi ser indiferente. Provavelmente agradei a poucos e desagradei a muitos. Mas é essa a função dos colunistas. De textos vulgares, espécies de encómios políticos ou encomendas literárias - que nada adiantam a quem os lê – estão os jornais cheios. Esses nem os leio de tão vazios e pol...