A política, o futebol e a violência
No ano de 2004, o futebol dominará a política nacional. Em contrapartida e como moeda de troca social, a política tem dominado o futebol. Há muitas épocas - para usar a terminologia do futebol - em que o dirigismo no futebol é tirocínio obrigatório para quem quer ascender a cargos políticos de referência. Em qualquer currículo que se preste a provas eleitorais, lá vai a referência à gestão da direcção do clube da aldeola, ou à prática desta ou daquela actividade amadora. Em tempos, era raro o presidente de Câmara que não tivesse lugar cativo na presidência de uma qualquer assembleia geral de um qualquer clube. Do anonimato para a associação, desta para o clube de futebol da terra e deste para o cargo político, este era o caminho certo para o poder. Ora, precisamente, este caminho constrói-se a partir de uma rede de favores e benevolências minúsculas e invisíveis que estruturam a fidelidade de apaniguados, empregados, funcionários e autoridades. Só assim é possível, a quem detém o poder...